Uma matéria publicada hoje no site do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região revela o calote no pagamento de salários e direitos de trabalhadores terceirizados no Banco do Brasil, contratados pela empresa Adventure (como já havíamos publicado no blog nessa semana).

Além do mais, os trabalhadores agora denunciam, ainda, que o banco está cometendo uma série de fraudes na contratação do Microcrédito Produtivo Orientado (MPO), que está ligado ao Programa Nacional de Microcrédito do Governo Federal. Leia a matéria abaixo.

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MAIS UMA VEZ, TERCEIRIZADA DO BB DÁ CALOTE EM EMPREGADOS
TERCEIRIZAÇÃO MOSTRA NOVAMENTE SUA FACE PERVERSA E EMPRESA NÃO PAGA SEUS FUNCIONÁRIOS DESDE JANEIRO

TERCEIRIZAÇÃO MOSTRA NOVAMENTE SUA FACE PERVERSA E EMPRESA NÃO PAGA SEUS FUNCIONÁRIOS DESDE JANEIRO

Mais uma vez, uma empresa terceirizada contratada pelo Banco do Brasil mostra irresponsabilidade com seus funcionários. A empresa Adventure, que oferece serviço de prospecção de microcrédito, foi denunciada por não pagar seus empregados desde janeiro.

Funcionários da Adventure procuraram o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região e contaram o que viram acontecer nestes últimos meses. Eles estão desde janeiro sem receber salário e benefícios.

A contratação – Alguns dos trabalhadores terceirizados já trabalhavam em outras empresas que oferecem o mesmo tipo de serviço, também para o Banco do Brasil. Uma das empregadas, que era comissionada, resolveu abandonar a empresa anterior, a terceirizada Saura, porque não vinha recebendo suas comissões na íntegra e viu uma boa oportunidade na Adventure, achando que seria mais valorizada.

Logo que foram contratados, suas carteiras de trabalho foram repassadas à representante da Adventure no Paraná, que deveria encaminhá-las à Bahia, onde fica a sede da empresa. “Mas nem a representante tinha dinheiro para pagar os Correios e enviar para lá. As carteiras ficaram paradas por 45 dias”, conta um dos trabalhadores.

As desculpas da empresa – A primeira justificativa que a Adventure deu foi em fevereiro, quando os funcionários deveriam receber o proporcional ao trabalhado no mês de janeiro. De acordo com a representante da Adventure no Paraná, a demora no processo de assinatura da carteira de trabalho impossibilitou esse primeiro pagamento. A representante informou que o pagamento seria feito, retroativo, no 5º dia útil de março, com todas as verbas e benefícios.

“Trabalhamos o final de janeiro e o mês inteiro de fevereiro sem vale-transporte e sem vale-refeição, mas com a esperança de que todos os pagamentos seriam feitos no começo de março”, lembra um trabalhador.

Porém, não foi isso que aconteceu e no 5º dia útil de março, os trabalhadores foram informados que o pagamento seria creditado apenas no dia 12 do mês. A partir daí, começaram a ligar para a representante da empresa, que não as atendeu mais. Em uma agência, um gerente do BB chegou a dizer: “Vocês não têm contas para pagar, podem trabalhar de graça”.

No dia 15 de março, um grupo de trabalhadores decidiu procurar o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. “Nós não tínhamos nem dinheiro para ir, já que não recebemos nosso vale-transporte. Desde então, ninguém nos procurou para dar qualquer explicação ou fazer qualquer cobrança”, ressalta uma das funcionárias.

O trabalho – De acordo com eles, o trabalho consistia em prospectar clientes para contratar o serviço de microcrédito. Isso era feito por telefone e na sala de autoatendimento, no caso de correntistas, ou então na rua, onde elas buscavam novos clientes. “Quando eram bairros mais afastados, eles nos davam um valor para pagar o táxi, mas na maioria das vezes nós tínhamos que ir a pé”, conta uma das trabalhadoras.

A meta que era passada para eles era a meta da agência, a ser cumprida pelos bancários, e elas tinham de cumpri-la não em 100%, mas em 110%. “Logo no início do contrato, já disseram que se não atingíssemos a meta seríamos demitidas”, afirmam. A meta era contada por número de contratos.

Fraudes – Não bastasse a pressão, o assédio moral e a falta de pagamento, os empregados terceirizados recebiam orientação para alterar o cadastro de clientes, com objetivo de conceder créditos maiores. “No cadastro, todo mundo ganhava R$1.600,00, que é a renda máxima para conseguir um microcrédito. Desta forma, uma pessoa que ganhasse menos, tinha o cadastro alterado e para conseguir um valor maior de crédito”, denunciam.

“É um absurdo que este tipo de coisa aconteça. Além da ilegalidade, a atitude tem reflexos econômicos e influencia no aumento da inadimplência”, avalia Alessandro Garcia, o Vovô, diretor do Sindicato e funcionário do BB.

O Banco do Brasil – O Sindicato entrou em contato com a Superintendência do Banco do Brasil, que informou que havia feito o repasse do dinheiro de pagamento dos terceirizados e a empresa que não cumpriu com sua parte. “O estranho, que também foi informado pelo Ministério do Trabalho, é que o Banco do Brasil já havia contratado a Adventure em outro momento e também teve problemas deste tipo. O banco já conhecia a empresa, por que voltou a contratar?”, questiona André Machado, diretor do Sindicato e funcionário do BB.

Em seguida, o BB informou que metade dos funcionários da Adventure foi paga e que as duas funcionárias receberiam no dia 25 de março, o que também não aconteceu.
O último informe da Superintendência do BB é que o pagamento será feito, mas ainda não sabem informar o prazo.

A Adventure possui 205 empregados no Paraná.

O Sindicato já recebeu denúncias de outros funcionários da empresa que também não recebem há meses e continuam trabalhando.

Terceirizar é precarizar – “Este é mais um caso que demonstra claramente como a terceirização vem acompanhada da precarização. Os terceirizados desempenham o mesmo trabalho dos bancários, não recebem o mesmo salário, isso quando são pagos!”, comenta André Machado.

É a segunda empresa terceirizada pelo BB que, em seis meses, deixa de pagar seus funcionários. No final de 2012, a empresa Alerta, responsável pela segurança, deu um grande calote nos vigilantes. (Saiba mais)

“A terceirização é uma fraude e é inadmissível que um banco público, como o Banco do Brasil, compactue com este tipo ainda mais predatório de relação trabalhista”, avalia Machado.

O Brasil possui cerca de 30 milhões de trabalhadores terceirizados, com contratos precários e, a grande maioria, sob as mais perversas condições de trabalho.